Pensando como Napoleão

01 de Dezembro de 2010 Concursos
Certa feita, Napoleão Bonaparte disse que "a melhor maneira de manter a sua palavra é nunca dá-la". Um aforismo daqueles, próprio de quem se via no inteiro controle da situação.

Um aforismo, na perfeita definição de Friedrich Von Schlegel, corresponde "a uma maior quantidade de pensamento no menor espaço".

Adoro aforismos. Conseguem concentrar toda genialidade, visão e, às vezes, a soberba e o mau humor do seu autor (Para quem gostou do tema, fica a indicação do excelente texto de Jerônimo Teixeira, na revista "Veja" de 25 de agosto de 2010, cujo título é "A sabedoria em 30 palavras ou menos").

As grandes batalhas do mundo sempre tiveram por trás grandes homens. Gênios do bem, gênios do mal. Homens com um expressivo poder de comando, que, antes de exteriorizado a seus comandados, revelava o seu alicerce - o autocontrole.

Mas antes que você clique no "X" no canto superior direito da sua tela, deixa eu divagar sobre a minha inspiração - o aforismo de Napoleão - e o que me move neste texto - direito, concursos e vida (não necessariamente nessa ordem).

Concurso é guerra. Um amontoado de batalhas testando a nossa resistência e capacidade de superação. E é preciso, antes de conquistar o mundo, ser senhor de si mesmo. O que será do seu destino, diante da sequência de fases de um concurso, se qualquer mínima coisa retira seu ânimo e força de luta?

Defendo a ideia de que é preciso encarar a vida de peito aberto, sem medo de julgamentos. Mas mesmo assim, há certos momentos em que se você não se proteger, ninguém o fará por você, ninguém.

Frequentemente deparo-me com colegas queixando de quem denomino "urubus de plantão". Estes abutres, como sabido, só se alimentam de carniça, ou seja, do que para nós já não presta. Não preciso nem escrever muito para você identificá-los à sua volta. É aquele mui amigo, que só sabe perguntar se você já passou. Ou aquela tia que fala que você já está ficando velho e que "já é hora de procurar um emprego". Ou os que o chamam de louco quando o veem jogando tudo para o alto em busca de um sonho (essa eu ouço muito).

Nessas horas é preciso agir como Napoleão. Não dê a sua palavra - exceto à você mesmo - sob pena de estar fadado ao julgamento e observação alheios. Crie uma carapaça, à prova de tudo e de todos que te tiram do foco necessário. E como quem se defende, elimine da sua pele toda a carniça que serve de prato principal para seus algozes. O pouso dessas aves abjetas será sorrateiro. Faça isso o mais breve possível. E para tanto, use e abuse de sua imaginação.

Geralmente, comentários como esses não mais me abalam. Mas quando esse tipo de julgamento chega a me incomodar, utilizo de uma série desculpas, cada uma mais fantasiosa do que a outra. Adoro ver a cara de perplexidade dos outros. Rio por dentro.

Você já fez "doutorado de direito intertemporal alemão à distância"? Não? Nem eu. Mas todos os meus clientes e ex-clientes acham que eu faço. Aprendi essa belíssima desculpa numa aula ministrada pelo Dr. Rogério Greco. Nunca mais esqueci. Felizmente, não tardou para que pudesse aplicá-la.

Logo quando parei de advogar, passei a manter uma rotina própria, atento a horários em que produzisse mais. Assim, acabava andando na contramão do mundo. Mas o chato era estar de bermuda e chinelo às três da tarde e encontrar com um cliente na padaria da esquina, num dos meus intervalos de estudo. Inevitável a pergunta:

- Ué Doutor!? Que folga é essa?

Aí eu dava corda:

- Eu parei de advogar.

Como a curiosidade era maior do que discrição do interlocutor, inevitável outra pergunta na sequência:

- Mas como?

E eu respondia:

- É, estou estudando... Estou fazendo um "doutorado de direito intertemporal alemão à distância".

De forma impressionante o diálogo cessava por ali mesmo. E eu, às gargalhadas por dentro, comprava meu pãozinho quentinho e voltava para casa, continuando a estudar.

Daqui a algum tempo, eles terão a notícia de que o seu ex-patrono, agora, é juiz. E do alto de sua "sabedoria", afirmarão:

- Você viu Fulana? O meu advogado foi fazer um doutorado de "não-sei-o-que-é-lá" e virou juiz! Sempre achei que ele tinha cara de juiz mesmo!

Os cães só ladram, só isso. O que precisamos é continuar a caminhada.

Governe a si mesmo e não deixe que os outros comandem o seu destino. Uma guerra é composta de várias batalhas. Umas vencemos, outras não. O importante é entrar para vencer em todas. Queira, deseje profundamente vencer. O seu sonho é tão grande quanto a vontade de superar esses pequenos obstáculos.

Bruno Bernardes
Advogado e especialista em Direito Processual.
Editor do "Blog do MOCAM" (www.blogdomocam.com.br)

Fonte: Bruno Bernardes

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