O etanol brasileiro e o pré-sal

12 de Novembro de 2009 Geral
A previsão é que partir de 2016 a exploração das reservas do pré-sal seja em larga escala. Nessa hora, surgem algumas questões. Por exemplo: quem será competente para fiscalizar, monitorar e administrar esse potencial energético num país tão carente de infra-estrutura? Quem está se preocupando com a questão ambiental da exploração desses recursos na plataforma marítima brasileira?

Porém, diante desse rebuliço em torno do Pré-Sal brasileiro, que muitas vezes causa uma neblina na visão dos gestores da coisa pública, não se pode esquecer que nas próximas semanas a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) vai divulgar novas regras que poderão abrir um potencial mercado de 15 a 40 bilhões de litros de etanol para o Brasil nos próximos 12 anos.

Nessa hora, temos que refletir qual papel o Brasil vai desempenhar nesse cenário. Temos um propício ambiente comercial com os Estados Unidos, por causa da cooperação bilateral sobre etanol entre ambos os países. O Brasil tem uma grande vantagem em comparação com outros países, porque tem enormes reservas de energia renovável a partir da cana-de-açúcar.

Existem mais de 6 milhões de hectares sendo utilizados para cultivar cana. Por mais de três décadas, o Brasil tem desenvolvido a tecnologia para esse fim e agora produz 17,7 bilhões de litros de etanol por ano. Nos EUA, líder no mercado mundial, a produção chega a 18,5 bilhões de litros.

Em tempos em que petróleo e gás são as principais causas do aquecimento global e da poluição, só a cooperação entre os governos e as instituições privadas pode trazer bons resultados. Portanto, o etanol brasileiro da cana-de-açúcar, muito mais que o do milho americano, aliado aos incentivos públicos, como os tributos e as facilidades administrativas, pode ser a resposta para um futuro limpo e sustentável.

Se isso vingar, o etanol da cana-de-açúcar pode suprir um mercado de 15 bilhões de litros somente nos Estados Unidos, reservado para os combustíveis avançados. Esse volume é três vezes maior que todo o álcool exportado pelo Brasil no ano passado, que foi de aproximadamente 5 bilhões de litros. Para os Estados Unidos foi vendido 1,5 bilhão de litros de etanol em 2008.

Para tanto, o Brasil não pode deixar que a neblina causada pelo pré-sal afete esse crescente mercado de energia renovável, em franca expansão em outros países preocupados com o aquecimento global.


Artigo publicado no Jornal do Brasil em 30/10/2009.

Fonte: Terence Dornelles Trennepohl

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