Português FCC - Concurso do INSS

06 de Dezembro de 2011 Concursos
O próximo concurso para o INSS estará sob a responsabilidade da Fundação Carlos Chagas. Assim, com o intuito de ajudar aqueles que o farão, apresentamos algumas questões características dessa banca examinadora, com seus diversos itens comentados.

01. Estão plenamente respeitadas as normas de concordância verbal em:

(A) Abandonaram-se as utopias, e com isso prevalece em nossas vidas o imediatismo das mais rasas expectativas.
(B) Não se oferece ao homem moderno imagens de um futuro grandio¬so, e cada um de nós só nos preocupamos com a agenda do dia.
(C) A significação de todos os nossos atos presentes, insiste o autor, de¬veriam determinar-se em função dos nossos projetos.
(D) Não podem limitar-se às experiências do futuro imediato a expecta¬tiva que temos em relação aos nossos projetos.
(E) Atribui-se ao encolhimento do futuro as razões pelas quais nossa vida vem-se tornando cada vez mais mesquinha.

02. Transpondo-se para a voz passiva a construção a voz do futuro nos acor¬da, a forma verbal resultante será:

(A) temos acordado.
(B) teremos acordado.
(C) seremos acordados.
(D) somos acordados.
(E) temos sido acordados.

03. Está inteiramente correta a construção da seguinte frase:

(A) Para nós acaba sendo mais preferível a agenda do dia do que as utopias.
(B) Steiner insiste de que somos uns nostálgicos de antigos futuros.
(C) O futuro com que se almeja funciona enquanto árbitro moral do presente.
(D) Já não há utopias aonde nos impulsionemos para construir o futuro.
(E) O futuro com que já não se conta implica esvaziamento de sentido do presente.

04. Atente para as seguintes frases:

I. Caberia aos homens de hoje, que despacharam as utopias, buscar revigorá-las.
II. Os sonhos coletivos, que alimentaram tempos passados, deram lu¬gar aos afazeres imediatos.
III. Preocupa-nos, hoje, muito mais a agenda do dia do que um projeto de longo prazo.

A supressão das vírgulas altera o sentido da frase SOMENTE em

(A) I e II.
(B) I e III.
(C) I.
(D) II.
(E) III.

GABARITOS E COMENTÁRIOS

01) A 02) D 03) E 04) A


Questão 01

A questão versa sobre concordância verbal, solicitando que o candidato aponte em que alternativa não se nota qualquer incorreção.
Vejamos, assim, cada uma das alternativas da questão:

(A) Item correto.
O período está composto por duas orações, que se estruturam em torno das formas verbais "Abandonaram" e "prevalece". Na primeira de¬las, percebe-se uma oração de voz passiva pronominal, em que o sujeito "as utopias" força o emprego verbal em terceira pessoa do plural, o que foi fei¬to. Na segunda, o sujeito de "prevalece", indicado por "o imediatismo das mais rasas expectativas", com núcleo em "imediatismo", impõe o emprego da forma verbal citada em terceira pessoa do singular. Esta é a resposta da questão.
(B) Item incorreto.
Houve incorreção de concordância verbal no emprego da forma verbal "oferece", resultante de não se ter observado a existência de oração de voz passiva pronominal na qual o sujeito se fez representar por "imagens de um futuro grandioso", o que implica emprego obrigatório da forma ver¬bal citada na terceira pessoa do plural. No seguimento do período nota-se fato interessante: o sujeito para o verbo "preocupar", indicado por "cada um de nós", faculta o emprego do verbo em primeira pessoa do plural, em concordância com "nós", ou, ainda, na terceira pessoa do singular, concordan¬do com "cada um". Deste modo, o texto retificado será: "Não se oferecem ao homem moderno imagens de um futuro grandioso, e cada um de nós só nos preocupamos (ou se preocupa) com a agenda do dia".
(C) Item incorreto.
O sujeito de "deveriam determinar-se" está sendo expresso por ''A significação de todos os nossos atos presentes", com núcleo em "significa¬ção", o que demanda emprego verbal em terceira pessoa do singular. A frase corrigida apontará: ''A significação de todos os nossos atos presentes, insiste o autor, deveria determinar-se em função dos nossos projetos".
(D) Item incorreto.
Neste item, temos em "a expectativa" o sujeito da locução verbal "podem limitar-se", o que configura visível erro a ser retificado em "Não pode limitar-se às experiências do futuro imediato a expectativa que temos em relação aos nossos projetos".
(E) Item incorreto.
Mais uma vez empregou-se oração de voz passiva pronominal. Observemos que, na primeira oração do período ora estudado, ''Atribui¬-se ao encolhimento do futuro as razões", está-se dizendo, com estrutura de passiva pronominal, o que se expressaria com estruturação de passiva analítica: "É atribuída ao encolhimento do futuro as razões", o que repre¬senta gritante erro pela não concordância da locução verbal passiva "É atribuída" com o seu sujeito "as razões". Do mesmo modo que, para retificar-se a oração de passiva analítica ora apresentada teremos de empregar a locu¬ção verbal em plural na forma "São atribuídas", também teremos de em¬pregar o verbo "atribuir", na mensagem original de passiva pronominal, na terceira pessoa do plural. Assim, a redação correta para o presente período será: ''Atribuem-se ao encolhimento do futuro as razões pelas quais nossa vida vem-se tornando cada vez mais mesquinha". Chamamos a atenção do estudante para a necessidade de estar-se atento às ocorrências de voz pas¬siva pronominal, estruturas muito frequentemente requisitadas em nossas provas.

Questão 02

O enunciado da questão solicita que o candidato converta a oração "a voz do futuro nos acorda" para a voz passiva analítica, como se pode depreender das diversas opções oferecidas nas alternativas de (A) a (E).
Como sabemos, há uma correspondência entre termos sintáticos da voz ati¬va e da voz passiva, que se mantém inalterada: o sujeito de uma oração de voz ativa - por indicar o autor da ação verbal nela expressa - transforma-se em agente da passiva - termo sintático que traduz, semanticamente, o autor da ação verbal na voz passiva. Ao mesmo tempo, o objeto direto da voz ativa - termo sintático que, semanticamente, aponta para o sofredor da ação pra¬ticada pelo sujeito ativo - vai-se transformar em sujeito passivo, para que continue a indicar o recebedor da ação verbal.
Desse modo, questões de conversão de voz ativa em passiva e vice-versa tor¬nam-se mais simplificadas quando identificamos o sujeito e o objeto dire¬to (em se tratando de conversão de ativa em passiva) ou sujeito e agente da passiva (quando estamos interessados em converter oração da voz pas¬siva para a voz ativa).
Na presente oração apontamos como sujeito o sintagma "a voz do futuro" e como objeto direto, o pronome pessoal oblíquo átono "nos". Então, já estamos sabedores de que, na voz passiva que iremos construir, a expressão "a voz do futuro" funcionará como agente da passiva, ao passo que o pro¬nome reto "Nós" - natural aproveitamento do pronome reto corresponden¬te ao oblíquo "nos" - exercerá função de sujeito.
Temos, assim, um esqueleto de oração que se desenha: "Nós _______________ pela voz do futuro".
Passemos agora à forma verbal.
Encontramos na voz ativa o verbo "acor¬dar", empregado em presente do indicativo, terceira pessoa do singular, concordando com o sujeito já apontado "a voz do futuro". Ao convertermos a oração para a voz passiva, criaremos uma locução verbal passiva, na qual empregaremos o auxiliar "ser" no tempo em que se encontra o verbo utilizado na voz ativa que estamos transformando em passiva e concordan¬do com o seu novo sujeito, ou seja, o pronome reto "Nós", vale dizer, "so¬mos". Como verbo principal da locução passiva analítica, empregaremos "acordar" no particípio, concordando nominalmente com o sujeito da oração. Teremos, então, "somos acordados",
A oração devidamente convertida restará, então: "Nós somos acordados pela voz do futuro".
A questão faz menção apenas à forma verbal resultante "somos acordados", que se encontra na alternativa (D), sua resposta.

Questão 03

Analisemos as construções propostas para cada um dos itens da presente questão:

(A) Construção errada.
O adjetivo "preferível" deve ser empregado com regência semelhan¬te ao verbo que lhe é cognato "preferir", vale dizer, "alguma coisa é preferí¬vel a outra coisa". Unicamente a preposição "a" deve ser empregada para reger seu complemento nominal. Além disso, devem-se evitar gradações do tipo "mais preferível", "menos preferível", "muito mais preferível" e outras. O texto re¬tificado restará: "Para nós acaba sendo preferível a agenda do dia às utopias".
(B) Construção errada.
A regência do verbo "insistir", embora transitiva indireta, desauto¬riza o emprego da preposição "de". Eis o texto corrigido: "Steiner insiste em que somos uns nostálgicos de antigos futuros".
(C) Construção errada.
Não há razão para que se empregue no texto a preposição "com": a oração "que se almeja", em voz passiva pronominal, tem como sujeito o pronome relativo "que", representante semântico do substantivo "futuro". Esse fato impede que surja a aludida preposição. A frase correta será: "O fu¬turo que se almeja funciona enquanto árbitro moral do presente".
(D) Construção errada.
O pronome relativo "onde" deve ser empregado em referência a lu¬gares. É fato que tais lugares, eventualmente, não são físicos, mas virtuais. São as circunstâncias em que surgem metáforas. Não vemos possibilida¬de de emprego do pronome relativo "onde" nessa passagem, embora reco¬nhecendo ser questão melindrosa. Algo, entretanto, mais sério invalida a elaboração do texto ora analisado: ainda que se dê ao relativo "onde" o entendimento de que, por ser substituto de "utopias", refira-se a lugar virtual de onde alguém se im¬pulsionaria para construir o futuro, a presença da preposição "a", regendo o pronome "onde", é absolutamente descabida, uma vez que nada a solicita nem a justifica. Afinal, nós não nos impulsionamos a um lugar, mas sim de um lugar. Apontamos como correção do texto desta alternativa: "Já não há utopias de que (ou das quais) nos impulsionemos para construir o futuro".
(E) Construção correta.
Ao analisarmos o presente período em sua estrutura, encontraremos as orações a seguir indicadas: [O futuro [com que já não se conta] impli¬ca esvaziamento de sentido do presente], em que a oração subordinada ad¬jetiva restritiva "com que já não se conta" apresenta-se com pronome rela¬tivo corretamente regido pela preposição "com", que surge da demanda da forma verbal "conta", empregada com regência transitiva indireta, no sen¬tido de "contar com algo". O pronome "se" é índice de indeterminação do sujeito. Não há qualquer equívoco neste item, que é, assim, a resposta da questão.

Questão 04

Vejamos as justificativas para os sinais de pontuação empregados em cada um dos três textos e o que resultaria com a supressão dos mesmos:

I. Mensagem alterada.
As vírgulas empregadas salientam o caráter explicativo da oração subordi¬nada adjetiva "que despacharam as utopias". Entendemos, a partir da leitu¬ra do texto com a pontuação com que se apresenta, ser caracterizador do homem de hoje o descarte das utopias - e isso sem exceção. A supres¬são das vírgulas que isolam a aludida oração promoveria sensível alteração semântica, que surgiria da presença, agora, de uma oração subordinada ad¬jetiva restritiva. Assim, em "Caberia aos homens de hoje que despacharam as utopias buscar revigorá-las", passaríamos a entender que nem todos os homens" despacharam as utopias" e que, consequentemente, somente àque¬les que as despacharam caberia a tarefa de buscar revigorá-las.
II. Mensagem alterada
Observamos o mesmo emprego de pontuação, neste item, do empregado no item anterior. Com efeito, a oração "que alimentaram tempos passados", isolada por um par de vírgulas, é entendida como uma explicação para a expressão "Os sonhos coletivos". Assim, entendemos que todos os sonhos coletivos alimentaram tempos passados e, por isso, todos eles deram lugar aos afazeres imediatos. A supressão do par de vírgulas mencionado impli¬caria inserção de oração de valor restritivo, o que promoveria clara altera¬ção semântica no período, fazendo com que o leitor entendesse que apenas os sonhos coletivos que alimentaram tempos passados - já não seriam to¬dos os sonhos coletivos, portanto - deram lugar aos afazeres imediatos.
III. Mensagem inalterada.
As vírgulas empregadas neste período isolam adjunto adverbial. São facultativas em seu emprego e têm por finalidade realçar estilisticamente o aludido adjunto. Sua supressão em nada alteraria o sentido final da mensagem externada pelo período.

Fonte: Décio Sena

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