Estudando Português

03 de Fevereiro de 2012 Concursos
O estudante brasileiro sempre reclamou de determinadas coisas. Para a maioria, pelo menos, a língua portuguesa é a mais difícil, superando nesse particular o basco e o húngaro. Pelo menos na visão de alguns descontentes que confundem riqueza com dificuldade.

Se levarmos em conta o tipo de estudo que a criança e o jovem continuam tendo em suas escolas, tudo isso é compreensível e aceitável. Mas, na fase adulta, com a perspectiva de realização de bons concursos públicos, tal mentalidade precisa mudar, sob o risco de a pessoa ficar para trás, na saudável disputa por boas colocações no mercado de trabalho.

É preciso ver o português como o instrumento maior da nossa cultura, riquíssimo em todos os aspectos em que possamos focalizá-lo. Abomine-se qualquer tentativa de deturpá-lo, com o intento malsão de simplificá-lo para que seus usuários possam melhor compreendê-lo.

Isso é baixar o nível, numa declaração explícita de que o povo brasileiro não tem capacidade de apreender o mínimo necessário à compreensão de seu belo e profundo idioma. Já se tentou, por exemplo, simplificar (assassinar, seria
o caso) a ortografia, fazendo com que, à semelhança do esperanto, uma excelente e bem-sucedida língua internacional, cada letra representasse um único som, e cada som fosse representado por uma única letra. Assim, palavras como casa e exame seriam grafadas com Z: caza e ezame. Esse ataque à língua, ocorrido nos anos oitenta, foi barrado pelos filólogos brasileiros, iluminados pela ideia maior de salvaguardar a preciosa história de cada vocábulo, ao mesmo tempo em que se permitia ao brasileiro continuar pensando e conquistando, passo a passo, as maravilhas do idioma de Camões e Machado de Assis.

As reformas são bem-vindas, naturalmente, quando não ferem a estrutura da língua. Por exemplo, hoje não contamos mais com o trema, amado e odiado pelo povo. Sua ausência causará, sem dúvida, alguns problemas, porém não atinge o cerne do idioma, uma vez que tal sinal gráfi co não existia na língua-mãe, o latim.

Desapareceu também um incômodo e desnecessário acento circunflexo que emoldurava palavras como vôo e crêem, hoje voo e creem. A par dessa discussão sobre a possível complexidade da língua portuguesa, convém dizer que seu estudo requer, como qualquer outro, disciplina, determinação, paciência e prazer.

Sim, prazer, pois, quando se tem um objetivo na vida, qualquer estudo realizado deve conter uma boa dose de satisfação, alegria e boa vontade. E todos podem chegar a esse estágio, pois tudo se encontra em nossa mente. É
necessário querer: sem isso não se chega a lugar algum. Todas as disciplinas têm sua beleza; compete ao estudante descobri-la.

Então, o aprendizado fica mais fácil, porquanto caem as barreiras levantadas pelo próprio estudante ao dizer para si mesmo que detesta aquele assunto e que não conseguirá jamais aprendê-lo. Faça isso, caro amigo, com o português. Aprenda a amá-lo e respeitá-lo em sua grandeza. Ele é o seu amigo de todas as horas, o companheiro confiável por meio do qual se estabelece a comunicação do dia a dia. Com boa vontade, é possível dominá-lo, acredite. Senão, preparasse para estudar basco ou húngaro.

Fonte: Renato Aquino

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