Um outro olhar

06 de Agosto de 2009 Geral
As vítimas recentes da gripe pelo vírus influenza A (H1N1) foram adultos jovens. Porém, neste curto espaço de tempo, os primeiros estudos têm demonstrado que crianças de tenra idade e pessoas idosas, que por doenças pré-existentes possam ter um sistema imunológico débil ou esgotado, também são alvo da pandemia.

No inverno, do Sudeste e Centro-Sul do nosso país, os idosos são vitimados pela gripe e morrem, via de regra, pela pneumonia e outras infecções respiratórias.

A gripe pandêmica, chamada de suína, tem trazido, nas suas formas mais graves, uma alveolite, ou seja, a inflamação dos alvéolos - a menor das unidades funcionais dos pulmões.

A vacinação anual privilegia os idosos tratando-se da gripe comum. Porém, agora devem ser aplicadas vacinas, quando disponíveis na nossa opinião, no pessoal da área de saúde e naqueles que, estatisticamente, correm maior risco de infecção.

Por outro lado, é conhecida a falência das instalações de saúde em nosso país. Neste momento, um operário, profissional liberal, estudante ou dona de casa encontram-se na porta de entrada de um hospital de emergência. Um deles tem um dedo fraturado e os outros estão gripados. Porém, se um deles porta a suína, daqui a pouco, ou melhor, depois de oito horas sem atendimento na sala de espera, estes e os demais pacientes estarão contaminados. Não há isolamentos nos hospitais, clínicas, postos, UPAs, CTIs etc.
Sabe-se que os cuidados de higiene básicos são fundamentais como profilaxia da doença. Da mesma maneira, apesar de não sermos alarmistas, não se pensou ainda na manipulação dos corpos dos mortos e mesmo dos restos mortais que venham a ser necropsiados.

Os cuidados básicos incluem o transporte dos cadáveres. O primordial seria acondicioná-los em sacos de plásticos impermeáveis próprios para o objetivo.

A higiene das mãos deve ser realizada após o transporte. Normas padrões de proteção devem ser adotadas, como a utilização de equipamento de proteção individual (EPI) como aventais, luvas, óculos e máscaras.

Recomendamos também, aos familiares que tenham tido contato com os mortos portadores, que sejam isolados em quarentena.
Os médicos legistas terão que ter treinamento especial, bem como o pessoal auxiliar e técnicos de necropsia.
E a adaptação dos necrotérios, com sistema de fluxo laminar, antecâmaras de biossegurança, esgotamento sanitário exclusivo, serviços de lixo recolhido e manipulação de dejetos de forma controlada pelas autoridades de controle epidemiológico.

Por fim, os profissionais que cuidam das cerimônias fúnebres, que também devem ser reservadas, evitando aglomerações, devem possuir treinamento a fim de não se contaminarem e propagarem a doença.

Não podemos esquecer que a saúde é direito de todos e dever do Estado, concluindo que o perigo de contágio de moléstia grave está abrigado no artigo 131 do Código Penal brasileiro: "Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio. Pena-reclusão de um a quatro anos".

Fonte: Roger Ancillotti

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