QUE PAÍS É ESSE?

10 de Novembro de 2015 Geral
QUE PAÍS É ESSE?

O Brasil assistiu, estarrecido, às cenas do rompimento das barragens de rejeitos da mineradora Samarco, deixando submerso, em um mar de lama, praticamente todo o subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana, cidade localizada a 115 km de Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais.

 

A destruição foi quase total, ou seja, 158 das 180 casas foram cobertas. O rio de lama, misturado com rejeitos da mineradora, começou a seguir seu curso natural, avançado centenas de quilometros, indo em busca do mar, atingindo outras cidades mineiras, seguindo em direção ao Espírito Santo. Por onde passa, deixa um rastro de destruição e sujeira, impossibilitando, inclusive, o consumo de água potável.

 

O governo federal, como não poderia deixar de ser, se manifestou, e disse que liberaria o FGTS de todas as pessoas afetadas pelo desastre.

 

Quando li a notícia, confesso que não entendi muito bem. O Governo estava anunciando, como “um ato de bondade”, que liberaria o FGTS de todas as pessoas atingidas por essa catástrofe? Que coisa horrível de se escutar. Que discurso equivocado. Que falta de noção. Ou seja, o Governo libera aquilo que já é da pessoa atingida, para que ela própria reconstrua seu patrimônio que foi aniquilado por culpa, ou não, de uma empresa exploradora de minério de ferro?

 

Em seu twitter, a presidenta  disse o seguinte:

“O governo federal reconhecerá o estado de emergência da cidade p/ permitir o saque do FGTS pelas pessoas atingidas”.

 

Com essa medida, os afetados por esse desastre poderão sacar o valor de até R$ 6.200,00 (seis mil e duzentos reais). É um absurdo total. Uma falta de vergonha, na verdade.

 

Fosse o Brasil um país sério,  nossos governantes estariam, nesse momento, à procura de soluções mais dignas e corretas, ou seja, buscando terrenos que pudessem ser permutados com aqueles que foram completamente assolados, que sumiram do mapa da cidade, a fim de, ele, Governo, construir e mobiliar todas as novas residências, de modo a entregá-las o mais rapidamente possível aos seus legítimos proprietários, sem contar com uma justa indenização pelos danos morais sofridos.

 

Os gritos de dor, o desespero das famílias, as histórias de  vida perdidas em meio ao lamaçal, os sonhos destruídos, enfim, nada disso parece ter muito valor.

 

Temos muito ainda o que aprender em termos de respeito aos direitos que importam no exercício da cidadania. Obviamente que no contrato de exploração feito pela empresa Samarco deve constar, obrigatoriamente, uma cláusula impondo a realização de seguro para as hipóteses de acidente. Assim, por que não é acionada a seguradora? O fato de alocar essas pessoas em hotéis não deixa de ser positivo e necessário mas, no entanto, não pode se transformar numa situação indefinida. Todos merecem, e têm direito, a retomar suas vidas, sua rotina, enfim, devem tentar voltar a ser o que eram antes desse desastre, para o qual não contribuiram. São somente vítimas abandonadas.

 

Com toda certeza, se nossos governantes procedessem dessa forma, ou seja, se houvesse uma preocupação séria, e atitudes concretas de reparação de todas essas pessoas,  não haveria necessidade de liberação de fundo de garantia.

 

Mas, tenho que confessar, isso é utopia. Querer resolver rapidamente essa situaçao em um país onde reinam notícias sobre corrupção e escândalos em todos os níveis, é uma missão quase que impossível.

 

Infelizmente, fica a pergunta: Que país é esse?

Fonte: Rogério Greco

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