Entrevista com o autor S. J. de Assis Neto

08 de Abril de 2011 Concursos
Planejar a melhor forma de estudar não é tarefa fácil, e muitos não sabem nem por onde começar. O autor de Direito Civil, S. J. de Assis Neto, dá conselhos para estudar sua disciplina e as tantas outras cobradas nos certames públicos. Também conta um pouco sobre o processo de criação de sua "Coleção de Direito Civil", lançada pela Impetus, dentre outros temas. Vale a pena conferir!


Mesmo com os rumores da suspensão de concursos, a abertura de novos concursos está voltando à normalidade. Que dica o senhor dá ao concurseiro que vai estudar Direito Civil para concursos?

A melhor dica para estudar Direito Civil para concursos, assim como qualquer matéria, na minha opinião, é concentrar-se no objetivo demandado por cada etapa do concurso. Vale dizer: a) se você está se preparando para uma prova objetiva, procure os livros mais resumidos e os códigos comentados, mas sem se esquecer de sempre se atualizar com as jurisprudências mais recentes, principalmente as do STF e do STJ (este último, aliás, contém muito mais matéria civil do que a Corte Suprema e vem realizando julgamentos importantes nessa área numa quantidade assustadora); b) se o caso é de prova dissertativa, aprofunde-se nos autores consagrados, uma vez que eles acrescentam detalhes importantes e, geralmente, apreciados por bancas examinadoras; c) de qualquer forma, porém, não despreze nenhuma informação, pois qualquer demonstração de conhecimento invulgar costuma contar pontos em concursos públicos.

Sua coleção é indicada mais para os iniciantes no estudo da área civil?

Sim, minha coleção esta voltada para os acadêmicos, que poderão encontrar na obra informações importantes para a compreensão do Direito Civil de forma concisa, mas não superficial. Por outro lado, procurei dar respaldo, em muitos pontos, às posições jurisprudenciais, o que pode fazer com que a leitura seja adequada, também, aos concurseiros, desde que complementada pelos compêndios mais detalhados.

O senhor poderia contar como foi o processo de escrever suas obras? Quais foram suas maiores dificuldades? E o que, para o senhor, foi mais divertido?

Eu tinha o plano de escrever sobre Direito Civil desde que concluí minha pós-graduação lato sensu nessa área. Com a promulgação do Código Civil, em 2002, comecei a digitar as primeiras linhas, mas o projeto ficou de lado durante o período em que lecionei Processo Civil na graduação e depois, também, quando cursei o mestrado. Foi a partir das minhas primeiras aulas de Direito Civil, ministradas em cursos de especialização, que retomei os escritos, até que, em contato com a Editora Impetus, o texto foi aceito para publicação.

As maiores dificuldades para o autor de Direito Civil, hoje em dia, concentram-se na diversidade de microssistemas que gravitam em torno do Código Civil, como o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei de Locações, as normas sobre reprodução assistida, a Lei de Registros Públicos e tantas outras. Outros pontos a mencionar são as constantes novidades da jurisprudência, sobretudo as do STJ, e o eterno surgimento de novos interesses e interlocutores no direito comum, que acabam, sempre, ampliando a extensão da matéria e o tempo de estudo.

O mais divertido, certamente, foi a oportunidade de me tornar parceiro da Editora Impetus, que possui pessoal qualificado e bastante gentil no trato, além de livros de inestimável qualidade.

Qual, para o senhor, é o ponto mais crítico no estudo do Direito Civil? Por quê? Que dica dá aos estudantes na hora de estudar essa parte?

É praticamente um senso comum o fato de que o ponto mais crítico do Direito Civil é a grande extensão do seu conteúdo. De fato, cada uma de suas áreas acaba por representar um grande ramo do conhecimento jurídico. Talvez a melhor dica a esse respeito seja a de se conformar com essa situação e estudar cada uma dessas áreas como se fosse uma matéria a mais. Assim, quando o estudante for montar sua grade semanal de estudos, o melhor não é dedicar um dos dias simplesmente ao Direito Civil, mas, sim, um para cada uma ou duas de suas matérias.

O senhor é servidor público do alto escalão (juiz). Quais dicas de estudo daria aos que estão iniciando nesta caminhada para conquistar um cargo tão difícil como o que conquistou?

O importante é ser organizado e manter um padrão de planejamento. Estudar muito não significa passar horas a fio todos os dias em frente aos livros, mas, sim, fazer com que todas as horas de estudo do seu dia sejam proveitosas. Passar doze ou quatorze horas por dia estudando sem parar pode funcionar para alguns, mas esses são raros. A maioria dos mortais perde o rendimento do estudo e da concentração depois de longos períodos exercitando a mesma atividade, por isso é importante manter uma vida social normal e não desprezar a importância do descanso, pois ele lhe dará condições físicas para continuar a caminhada. Outro ponto a destacar é a obstinação: passar um período - às vezes até longo - tropeçando é natural (fracassei em diversos concursos antes de ser aprovado) e, dependendo das circunstâncias, é preferível assumir um cargo com remuneração inferior ao almejado para adquirir vida própria e confiança (incluindo autoestima) e continuar tentando até conseguir o que se deseja.

Que conselho o senhor daria para os estudantes e concurseiros neste ano de 2011?

Eu não sou adepto das frases de efeito, mas o melhor a dizer para quem procura sucesso nos concursos jurídicos é: 1. continue sendo você mesmo (sua personalidade e seus amigos não precisam mudar ou desaparecer para que você possa estudar muito, apenas seus momentos de lazer diminuirão de acordo com as suas novas necessidades); 2. não desista jamais, a não ser que esteja convencido de que aquilo que desejava antes já não é o melhor para você.

Fonte: Editora Impetus

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