Autor Rogério Greco fala sobre Direito Penal

28 de Dezembro de 2010 Entrevista
O Procurador de Justiça, Rogério Greco, e autor de consagradas obras jurídicas, nesta entrevista conta ao leitor como trilhou seu caminho profissional, a carreira como autor, dá dicas aos estudantes sobre como estudar o Direito Penal e também traz uma mensagem de incentivo aos concurseiros. Confira!

Professor Rogério Greco, você atualmente ocupa posição de destaque na carreira pública como Procurador de Justiça. Trata-se de uma bela e concorrida profissão que exige muito estudo. Como foi sua trajetória para chegar ao Ministério Público?

Ingressei no Ministério Público de Minas Gerais em 1989, com 26 anos, depois de advogar por, aproximadamente, quatro anos.

Sua obra é muito didática. Traduz, com muita simplicidade, conceitos e institutos abstratos e com a habilidade de não prejudicar o rigor técnico. Como surgiu a ideia de se tornar doutrinador?

A ideia de escrever um livro surgiu em virtude dos pedidos dos alunos em sala de aula, que, a todo o momento, pediam meu roteiro de ensino. Assim, resolvi trabalhar na criação de um livro que fosse simples, didático e, ao mesmo tempo, aprofundado. Como entendia a angústia dos alunos diante de determinadas leituras, resolvi escrever de modo que qualquer pessoa entendesse, deixando de lado expressões cansativas e rebuscadas, que somente atrapalhavam o aprendizado.

Direito Penal é o "bicho-papão" de muitos graduandos e de muitos concurseiros, por causa dos inúmeros conceitos e peculiaridades dos casos concretos. Qual dica você dá a quem tem se digladiado com a matéria?

O conhecimento vem pela repetição. Assim, não procure "decorar" o que está escrito nos livros. Leia com tranquilidade, como se estivesse fazendo a leitura de um livro não jurídico. À medida que for lendo sobre o tema várias vezes, o conhecimento sobre o tema passará a ser natural.

É interessante perceber em sua obra um caráter garantista do Direito Penal, o que é excelente para um regime democrático como o nosso. Surpreende-nos porque, geralmente, o Parquet, mesmo assumindo o papel de fiscal da lei, tem a tradição mais marcante como parte. Como você se posiciona nessa seara?

De todos os ramos do Direito, não resta dúvida de que o Penal é o mais radical, porque lida com o direito de liberdade das pessoas. Assim, ser garantista significa que meus direitos como cidadão deverão ser preservados contra a fúria do Estado. No entanto, não podemos confundir "garantismo" com "ingenuidade". A Justiça não pode ser tolerante com casos graves, principalmente aqueles que envolvem os crimes de colarinho-branco, cujos autores podem ser considerados verdadeiros genocidas.
Ser concurseiro no passado já era complicado e agora parece ter ficado mais complexo ainda. Transmita, por favor, uma mensagem aos nossos concurseiros leitores.
Quando comecei a estudar para prestar concursos públicos, tal como ocorre com os candidatos hoje, sentia-me despreparado e achava que seria muito difícil a minha aprovação. Contudo, hoje, sei que Deus tem sempre o melhor reservado para nós. Dêem o seu melhor, não saiam da fila, persistam, que a hora de cada um chegará, assim como chegou a minha. Fiquem na paz.

Fonte: Blog do Concurseiro

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