Entrevista com o professor William Douglas, o guru dos concursos

02 de Agosto de 2011 Entrevista
Convidamos o "guru dos concursos", William Douglas, para uma entrevista especial de um ano de Impetus News. Suspensão dos concursos, cotas raciais, técnicas de aprendizagem, "concurso escada", preparo emocional, a questão sobre estudar para concurso ou trabalhar são alguns dos assuntos que ele aborda nesta entrevista exclusiva para a equipe do Informativo. O autor também traz palavras de incentivo para aqueles concurseiros que estão nesta batalha há anos e ainda não conseguiram conquistar o tão sonhado emprego público. Desistir não é palavra no vocabulário de um concurseiro. Confira!

No início do ano, o mercado de concursos noticiou com grande preocupação a suspensão dos concursos pelo Governo Federal. Como o senhor avalia, atualmente, esta situação?

Na época, lancei uma série de artigos comentando este assunto. Em todos eles procurei tranquilizar os concurseiros, demonstrando que essa arbitrária decisão na esfera federal não caracterizaria a suspensão total dos concursos, que, conforme falei, continuaram sendo lançados, não só para as outras esferas do governo, mas também para o Judiciário e diversas outras instituições. INSS e Receita também terão concursos.

A suspensão refreou, sim, o mercado de concursos e isso pode ser sentido nos cursos preparatórios. O número de alunos é muito menor do que no ano passado. O paradoxal é que, para quem ainda não está pronto, a suspensão ou demora são vetores favoráveis. Quem continua estudando será premiado quando os concursos voltarem a todo vapor.

O importante, como sempre digo, é manter-se na fila, estudando, manter uma boa motivação e ter certeza de que essa decisão é temporária, o governo vai precisar de novos profissionais e pode ser a sua vez.

Recentemente, o governador do Rio de Janeiro aprovou as cotas para negros e índios nos concursos estaduais; os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul já adotam este sistema. Gostaríamos que falasse um pouco sobre a sua posição em relação ao tema.

Como muitos já sabem, sou, há tempos, a favor das cotas raciais, tendo-as defendido por duas vezes em audiências públicas no Senado Federal e em vários artigos escritos. Quanto às cotas no concurso, sou contra, conforme argumentos que expus em artigo específico sobre o tema, publicado no meu blog. Para além de meu posicionamento, também integro o movimento negro e causo estranhamento em muitos por conta disso. Escolhi uma causa social para me dedicar, e esta foi a da inclusão racial. Milito no movimento negro, ministro aulas gratuitas, vendo livros a preço de custo para cursos comunitários, doo outros; enfim, faço o que posso. Acho que se cada um fizer um pouco, o país viverá uma nova e pacífica revolução.

No caso das cotas, peço que os interessados leiam meus artigos. E, lembro, é assunto que pode ser indagado nos concursos, pois trata de Direito Constitucional e Administrativo. Em resumo, sou a favor de cotas para as pessoas estudarem e estagiarem e de igualdade absoluta de oportunidades na hora de ingressar no mercado.

Muitos concurseiros precisam trabalhar para pagar não só suas contas, mas também o material de estudo e inscrições para concursos. Quais dicas o senhor daria para esse concurseiro que divide seu tempo entre o trabalho e os estudos?

Em primeiro lugar, saber que quem trabalha e estuda também consegue passar nos concursos. Em geral, aliás, são esses os concurseiros mais sérios e dedicados, pois sabem o custo de cada minuto. Talvez levem um pouco mais de tempo para serem aprovados, mas chegam lá. Isso acontece todo dia. Quanto às dicas, aqui vão algumas.

1) Seja honesto consigo mesmo e com seu quadro de horário. Não adianta escrever que vai estudar 10 horas por dia se não terá tempo para isso. Então, seja realista.

2) Aproveite todas as oportunidades para estudar. Tire um tempo na hora do almoço para rever alguma coisa. Seu deslocamento é de ônibus? Leia a doutrina comentada. Se vai de carro, grave a matéria e ouça no mp3 player ou no rádio.

3) Dê atenção para a família, alimente-se e volte a estudar. O concurseiro que concilia estudo e trabalho, sem dúvida alguma, terá um pouco mais de trabalho, mas, pagando o preço certo, sua aprovação virá como a de qualquer outro.

4) Cuide da qualidade do tempo. Esteja presente em cada coisa que vai fazer, sem pensar em outras. Divida bem o tempo e o siga. Mesmo que não consiga fazer isso 100%, o quadro de horário e a disciplina ajudarão muito.

Vários concurseiros iniciam sua carreira no serviço público passando, primeiramente, num cargo de nível médio. Só depois ele planeja estudar para o cargo que sempre sonhou. O senhor considera que esta é uma estratégia positiva ou negativa?

Essa estratégia é chamada de "concurso escada" e, sem dúvida alguma, é positiva, desde que o candidato tenha total ciência de que seu plano é de longo prazo. Explico. Muitos concurseiros almejam um certame para o qual não têm preparo ou formação suficiente, ou ainda um que ocorre sem muita regularidade ou regularmente de muito em muito tempo. Como, no entanto, a responsabilidade com a casa, alimentação e educação não esperam o concurso, ele opta por prestar um mais "simples" e imediato. Dessa forma, consegue a estabilidade emocional e financeira e/ou a formação adequada para conquistar a vaga de seus sonhos.

O erro mais comum de quem faz os "concursos escada" é se acomodar no cargo conquistado e abandonar os estudos. O concurseiro que os faz não pode perder de vista seu sonho e nem a motivação para o estudo. Se ele deixa de estudar, está adiando seu objetivo, deixando para depois o que poderia ter antes.

O senhor acha que hoje em dia é mais difícil passar em concurso do que em sua época?

A concorrência para os concursos aumentou, sem dúvida, mas não acho que esteja mais difícil passar para as pessoas que se preparam com afinco e dedicação, afinal, para aqueles que não se preparam, nunca foi fácil passar em concursos - seja hoje, há 10, 20 ou 30 anos. E sempre houve e haverá vaga para quem se dedica. Como sempre digo, a maior concorrência para qualquer coisa que fazemos na vida somos nós mesmos, portanto, estude com afinco e prepare-se para as responsabilidades que um cargo público representam. Anote-se, ainda, que a quantidade de concursos também aumentou exponencialmente. Temos muito mais candidatos, sim, mas também muitos concursos a mais acontecendo.

No seu livro Como passar em provas e concursos, o senhor apresenta ao concurseiro inúmeras técnicas que, se colocadas em prática, o ajudarão a conquistar o tão sonhado cargo público. Quais são, para o senhor, as técnicas primordiais para qualquer tipo de concurseiro?

Cada pessoa deve desenvolver a técnica de estudo com a qual mais se identifica e isso deve vir com o autoconhecimento e com a prática. Sempre falei na personalização, flexibilidade e análise do custo benefício de cada técnica. A pessoa precisa se conhecer e individualizar o que lhe aconselham. Não existe um só meio, e ninguém é dono da verdade. Assim, vale a pena conhecer, pesquisar, testar... adaptar e descobrir seu próprio método. O melhor conselho para quem está se preparando continua sendo: fique no jogo, aprenda a jogar, aprenda a gostar do jogo. Seja qual for a técnica de eleição, é preciso ter planejamento, motivação, objetivo, seriedade e muita responsabilidade com sua aprovação, o que inclui também algum tempo - não exagerado, claro - de lazer e refazimento das forças.

Muitos concurseiros estão sempre em contato com o senhor para dar um retorno de seu trabalho. Como esta troca colabora com a sua posição de "guru dos concursos"?

Quando fui chamado de "guru dos concursos" pela primeira vez, achei engraçado e um pouco exagerado. Mas sempre vi o "título" como algo muito carinhoso e que me deixa agradecido e lisonjeado. Até criei os "mantras", aproveitando a "deixa". O apelido acabou pegando e hoje o aceito com muito carinho. Seu sentido original é "aquele que traz luz", e tomo isso como uma responsabilidade que exerço com alegria. Os contatos com os concurseiros, seja em palestras, pelo meu site ou por meio de minha assessoria, são enriquecedores, agradáveis e essenciais para manter contato com a realidade e o ritmo de trabalho, bem como novos exemplos, situações e aprendizados a transmitir.

Os concurseiros não retornam apenas com dúvidas ou questões sobre concursos, retornam também com suas experiências, seus exemplos de vitória, novas técnicas e muitas outras questões que me levam a estudar sempre mais para ajudar, mantendo-me atualizado e munido de novidades para ajudá-los de forma cada vez melhor. Nada me alegra mais do que, como é comum, receber notícias das aprovações que os leitores vão amealhando, cada qual a seu tempo.

Para o senhor passar no concurso de juiz federal, a luta foi muito intensa. O que o senhor aprendeu para sua vida pessoal e profissional estudando para concursos?

Fui reprovado em vários concursos, inclusive no da magistratura, nas primeiras vezes em que o prestei. A jornada me ensinou uma das lições mais preciosas: não desistir nunca. E, mais, aprender com o erro. Não basta insistir: é preciso amadurecer e corrigir as falhas. Muitas vezes, quando prestamos concursos, não obtemos os resultados pretendidos. As reprovações são frequentes, principalmente no início da preparação, e não se deixar abater por elas é uma lição importante. Transferi essa lição para minha vida em diversos outros setores, foi o que tornou possível a publicação do Como passar em provas e concursos, vencer a maratona (A maratona da vida) e todas as outras empreitadas que enfrentei ao longo da vida.

A preparação emocional é algo que os candidatos deixam muito de lado, pois estão sempre focados no estudo das disciplinas. Só que no dia da prova o branco aparece e o nervosismo é incontrolável. O senhor acredita que o preparo emocional é um diferencial?

O preparo emocional é indispensável. Muitos concurseiros acham que não é necessário se preparar emocionalmente para a prova, mas fazem isso sem perceber. Estar preparado emocionalmente inclui utilizar as técnicas de concentração, respiração e memorização durante a prova e no estudo. É o preparo emocional que evita o branco e a angústia que muitos sentem nas vésperas e durante a prova. É o preparo emocional que faz com que o objetivo e o caminho que traçamos ao começar a estudar sejam alcançados e que sejam reforçados dia após dia. Creio que assimilar o conteúdo dos "mantras" ajuda bastante nesse ponto. A quantidade de candidatos que chegam ao ponto de maturação é pequena. Assim, quem continuar na fila vai ter sucesso. Só não pode parar, desacelerar etc. No concurso seguinte, não só os melhores já terão passado, mas também muitos ainda terão feito outros concursos e deixado novamente em aberto as vagas que ocuparam. Ainda temos aposentadorias, falecimentos, os novos cargos que são rotineiramente criados por lei, enfim, sempre temos muitas vagas surgindo. Uma delas pode ser sua.

Em suas palestras, o senhor sempre coloca que a fila anda e que quem estiver nela vai entrar um dia. Mas, o que ocorre com muitos concurseiros é que ano após ano eles tentam, mas não passam. O que fazer nesta hora tão crítica?

Primeiro, acho importante explicar o conceito de fila, para que fique bem claro. Em primeiro lugar, a fila funciona para concursos em que não sobram vagas, ou seja, o concurseiro faz a prova para um concurso com 20 vagas, por exemplo. Ele é aprovado, mas não está entre os 20, vamos supor que tenha ficado em 25º lugar. Teoricamente, se ele mantiver o mesmo ritmo de estudo e fizer a prova com o mesmo preparo, no próximo concurso ele será aprovado porque, afinal, as pessoas que "sabiam mais que ele" saíram da fila, pois passaram no concurso anterior.

Agora, para quem faz concurso após concurso e continua longe da vaga, vale anotar: não desista! Não se desmotive, coloque seus objetivos e prioridades na frente e continue na fila! Lembre-se que o sofrimento é temporário, mas o cargo é para sempre. Contudo, talvez você deva rever sua estratégia. A técnica de estudo e memorização está de acordo? Suas motivações estão corretas? Seu quadro de horário e ritmo de estudo estão ok? É importante estar com todos os horários em dia e cumprindo sua rotina de estudos, manter a calma e perseverar. A fila anda, com certeza, e você vai passar.

Fonte: Editora Impetus

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