Entrevista com o professor Décio Sena

01 de Setembro de 2011 Entrevista
O autor de Português para concursos, Décio Sena, é o entrevistado deste mês pela Impetus News. Há mais de 30 anos lecionando em cursos preparatórios para concurso, é uma referência na área. Com tanta experiência, o professor traz aos concurseiros várias dicas sobre a disciplina, os temas mais cobrados e a importância do domínio desta matéria que aprova, mas também reprova, muitos candidatos.


Como o senhor iniciou sua carreira no ensino do Português para concursos?

Quando era aluno do ensino fundamental, nas últimas séries, passei muitas dificuldades com a disciplina. Certa vez, cheguei a ficar em segunda época, o que equivale, hoje, a estar em recuperação. Naquela oportunidade, um colega de turma, dos melhores, aceitou estudar comigo. Com ele, ou melhor, com a sua linguagem, pude ver que a disciplina era bem mais fácil do que pensava. A partir desse fato entendi algo fundamental na minha carreira: a língua portuguesa tinha uma lógica, que até então não me fora mostrada, e, consequentemente, era imprescindível que os alunos buscassem entender os fatos gramaticais, e não procurar decorar regras nem sempre confiáveis. Como consequência, quando ainda era aluno do ensino médio, passei a ministrar aulas em cursos preparatórios. Daí para a frente foi um salto.

Muitos concurseiros acreditam que a matéria Português é muito fácil, e deixam de lado o estudo. Com a sua experiência como autor e professor, o Português pode reprovar candidatos nos concursos?

Entendo que Português não só pode reprovar candidatos, como o faz com frequência. De fato, muitos concurseiros (embora o número esteja gradualmente diminuindo), diante do leque de disciplinas que precisam estudar, algumas rigorosamente novas para eles, dão prioridade às que lhes são desconhecidas, o que é, diga-se, uma atitude coerente. Ocorre, entretanto, que o descarte do estudo de Português pode expô-los a situações desagradáveis no que diz respeito à aprovação no concurso. O perigo está em se imaginar um conhecimento da língua suficiente para a resolução das questões de prova. Lembro-me de que, certa feita, ao chegar a uma sala de aula onde ministraria curso para o cargo de delegado federal, ter escutado uma voz que se lamentava: "Vamos voltar ao ensino médio!". Na verdade, a afirmativa estava incorreta, uma vez que o Português cobrado em concursos públicos é estudado no ensino fundamental, ou seja, nas nove primeiras séries de estudo, o que o levaria à lamentação "Vamos voltar ao ensino fundamental!". No entanto, sua queixa deveria ser: "Vamos aprender agora o que deveríamos ter aprendido no ensino fundamental!", ou "Vamos recordar agora o que aprendemos no ensino fundamental e que, por conta do tempo que passou, já esquecemos!"

O senhor acha que os concurseiros estão cada vez mais preparados para fazer provas de Português? Por quê?

Os concurseiros mais lúcidos, sem dúvida, estão cada vez mais bem preparados para as provas de Português, o que resulta na maior oferta de bons cursos e bons professores, além da percepção de que devem estudar a disciplina, sob pena de não serem aprovados.

Quais os principais temas do Português que o concurseiro precisa saber na ponta da língua?

Concursos públicos vêm privilegiando, cada vez mais, o conhecimento dos fatos da gramática que possibilitam o entendimento do que se lê e, por outro lado, a produção de textos claros para quem vai lê-los. Desse modo, os fatos contidos na sintaxe (concordância nominal e verbal, regência - principalmente a verbal -, colocação pronominal) e pontuação são pontos fundamentais no estudo. Ocorre que não são conhecimentos estanques, necessitando de outros fundamentos. Na verdade, não se pode estudar pontuação, por exemplo, sem uma consistente base de análise sintática. Eu diria, assim, que o estudante deve concentrar seus estudos nos capítulos da Morfologia (aí entendida a destinação de cada vocábulo como pertencente a uma categoria gramatical), da Sintaxe (acrescentando Análise Sintática ao que já discriminei) e da Pontuação.

Quais os principais erros que os concurseiros cometem em Português?

Noto um grande número de erros nas questões de interpretação de textos, o que, certamente, decorre do baixo nível de leitura desenvolvida ao longo da vida, além da natural subjetividade que envolve a matéria. Essa dificuldade só pode ser sanada com a prática feita com pertinácia, obstinação. É imprescindível que o candidato procure resolver muitas e muitas questões de interpretação de textos, o que pode ser feito recorrendo-se a provas anteriores das diversas bancas examinadoras.

O senhor tem uma coleção de livros de provas comentadas de bancas examinadoras específicas. Este tipo de material pode ajudar o concurseiro no seu foco de estudo? Por quê?

Considero a resolução de provas anteriormente elaboradas pela banca do concurso em questão algo rigorosamente indispensável para que o candidato consiga fazer uma boa prova. Não se pode ir para uma guerra desconhecendo-se as armas do oponente. É extremamente necessário que saibamos muito bem os modelos de questões que iremos encontrar, que tópicos do programa costumam ser abordados e em que profundidade. Tudo isso é desvendado com as provas comentadas, ou seja, com a possibilidade de o candidato tomar conhecimento não só das questões, mas dos processos de resolução delas. No tocante à dificuldade interpretativa, por exemplo, esses livros trazem grande auxílio aos candidatos, uma vez que as provas estão integralmente comentadas, o que inclui, por óbvio, as questões de interpretação de textos.

O senhor está presente nas mídias sociais. É um canal de comunicação com o leitor?

Sem dúvida. Tenho recebido diversas solicitações por parte de pessoas que irão prestar concursos, o que não poderia ser feito pessoalmente, já que muitas delas residem em outros estados. Também sou procurado em meu site (www.deciosena.com.br). É um fato que a internet veio ajudar enormemente o concurseiro, abrindo novos canais de acesso aos professores.

Qual mensagem o senhor deixaria para o candidato que está desanimado a iniciar seus estudos no Português para concursos?

Eu lhe recomendaria que procurasse verificar a importância da disciplina na aprovação dos candidatos para o cargo que almeja vir a ocupar. Caso não conheça pessoas que tenham passado por essa fase, que busque os editais dos diversos concursos e constate o peso que as provas de português apresentam no cenário daquele que irá prestar. Certamente o desânimo passará.

Fonte: Editora Impetus

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