O que faz um Analista do Ministério Público?

30 de Setembro de 2011 Entrevista
Ser bem-sucedido profissionalmente não é apenas ter um bom salário, mas sim gostar do que se faz. Quantos concurseiros não levam anos para conseguir passar para o cargo tão sonhado, e, na hora de assumirem as responsabilidades da profissão, percebem que não era bem aquilo com que sonhavam?

Para ajudar você, concurseiro, temos a seção CARREIRAS, que, a cada edição, traz uma entrevista com um profissional de uma área específica. Em outubro, vamos falar sobre o que faz um Analista do Ministério Público aproveitando que temos edital aberto para esta carreira, no Estado do Rio de Janeiro.

O entrevistado, Cristiano Villela Pedras, é autor do livro Jurisprudência Sistematizada do STF e STJ - 2011, publicado pela Impetus, e analista do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Confira suas dicas!


Quais as principais funções de um Analista do Ministério Público?
Dentre as principais funções de um Analista do Ministério Público, estão a prestação de auxílio direto aos membros do Ministério Público, Promotor ou Procurador de Justiça, no exercício de suas funções institucionais, o que se dá mediante a elaboração de minutas de pareceres, recursos e outras peças processuais, além da realização de pesquisa doutrinária e jurisprudencial sobre determinado tema jurídico, incluindo-se, ainda, a realização de tarefas administrativas, como a feitura de ofícios, controle da pauta de audiências e sessões etc.

Quais os principais desafios? Há diferença do exercício da profissão em cada Estado?
Como maiores desafios podem ser citados o domínio da língua portuguesa e a necessidade de constante atualização da legislação e da jurisprudência. Pode haver diferenças pontuais do exercício da profissão em cada Estado, tendo em vista a autonomia de cada Ministério Público e o fato de as atribuições constantemente estarem previstas por resolução do Procurador-Geral de Justiça (PGJ) de cada Estado, mas o cerne das funções não varia muito, mesmo porque a Lei nº 8.625/93 encarregou-se de dispor sobre as normas gerais para a organização dos Ministérios Públicos estaduais.

Um Analista do Ministério Público pode ser especializado em alguma área?
Em geral, é exigido do Analista do Ministério Público um grande conhecimento do Direito Administrativo, especialmente do estatuto dos servidores e do processo administrativo com todos os seus procedimentos e ritos próprios, sendo indispensável, ainda, um bom conhecimento do processo civil e do processo penal. Em alguns Estados, como no caso do MP-RJ, há programas legalmente previstos, destinados à capacitação profissional dos servidores nas tarefas executadas. Quando em auxílio a Procuradoria de Justiça, costuma haver especialização dos analistas entre as áreas cível e criminal.

Como é o dia a dia deste profissional?
Costuma ser bem atarefado, em razão da quantidade de processos administrativos e judiciais que estão constantemente a depender do quadro de apoio para a movimentação da máquina administrativa. Há, ainda, atendimento às partes e advogados que vão diuturnamente ao Ministério Público em busca da proteção de seus direitos.

Esta profissão pode ser estressante? Por quê?
Como toda profissão, a função de Analista do Ministério Público pode, sim, ser estressante, diante da responsabilidade do cargo, que trata do interesse da própria sociedade, mas este estresse pode ser combatido com uma disciplina de trabalho e atualização constantes e com a manutenção de uma boa relação com seus colegas de trabalho e com sua chefia imediata.

O senhor considera difícil a prova para passar neste concurso? Quanto tempo o senhor estudou até ser aprovado?
A prova para Analista do Ministério Público vem se tornando cada vez mais difícil, o que se justifica pela necessidade da escolha dos melhores profissionais, diante das elevadas funções que assume o Parquet atualmente. Uma disciplina de estudo cotidiano e constante é fundamental, mas o cuidado com a saúde física e mental é igualmente relevante, por isso, uma boa alimentação e a prática de atividades físicas são indispensáveis. No meu caso, após minha graduação em Direito na UFRJ, passei ao menos três anos estudando as diversas disciplinas abordadas no edital para conseguir uma boa classificação, o que me permitiu a convocação dentro do prazo de validade do certame.

Para o senhor, qual é o maior obstáculo para os concurseiros que querem passar neste certame?
Certamente, o maior impedimento é a falta de disciplina e a ocupação com os diversos aparatos tecnológicos e distrações presentes nos dias de hoje que, se abusivamente consumidos, podem fazer com que o estudante perca o foco e esqueça de seu compromisso inicial de passar no concurso.

Há alguma disciplina que peça uma carga maior de estudos?
Não há uma disciplina única a se estudar mais, sendo o ideal cobrir todo o programa previsto no edital. Caso haja pouco tempo e tenha de escolher apenas uma disciplina para estudar, minha dica seria de dedicar ao estudo do Direito Constitucional, uma vez que nossa Constituição é bem abrangente e o conhecimento de seu texto acaba contemplando todas as áreas do conhecimento jurídico. É preciso, ainda, cultivar o hábito da leitura e o amor ao conhecimento, o que tornará a tarefa menos árdua e mais prazerosa.

Qual mensagem o senhor daria aos concurseiros que sonham em ser um Analista do Ministério Público?
Primeiro, desejaria muito boa sorte a todos! Depois, diria para confiarem em si próprios e em seu potencial e que nunca desistam de seus ideais e sonhos, sempre conscientes de que, com disciplina e dedicação ao estudo, poderão alcançar a tão sonhada aprovação.

Fonte: Redação Impetus News

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