Entrevista com o autor: Marco Aurélio Chaves Cepik

01 de Fevereiro de 2012 Entrevista
O organizador da obra Inteligência Governamental - Contextos Nacionais e Desafios Contemporâneos, Marco Aurélio Chaves Cepik, foi entrevistado pela Impetus News para falar mais sobre esta obra que acaba de ser lançada pela Editora Impetus.
Um material inédito no mercado editorial na área de pesquisa sobre Inteligência e Segurança. É leitura recomendada a todos os interessados por temas políticos e pelo funcionamento do governo nesta era digital, e obrigatória para os estudantes de Direito, de Ciências Políticas e de Relações Internacionais que buscam estar à frente de seu tempo e se qualificando melhor para uma demanda futura.

O senhor acaba de lançar, pela Série Inteligência, Segurança e Direito, da Editora Impetus, a obra Inteligência Governamental - Contextos Nacionais e Desafios Contemporâneos. Para que perfil de leitor o livro é importante? Por quê?
O livro é importante para qualquer leitor interessado em temas políticos e no funcionamento do governo na era digital. Além de sua utilidade para este público mais amplo, a obra se destina também aos profissionais de inteligência preocupados em conhecer melhor a área e também constitui importante ferramenta para os pesquisadores de várias disciplinas que estudam o governo. Quando pensamos sobre os Estudos de Inteligência (Intelligence Studies), como é chamado este campo interdisciplinar de conhecimento envolvendo a Ciência Política, os Estudos Estratégicos e as Relações Internacionais, existem dois tipos principais de produção intelectual: o estudo sobre Inteligência e o estudo para a Inteligência. A principal diferença é a finalidade que a pesquisa busca alcançar: nos estudos sobre inteligência, geralmente desenvolvidos e destinados a pesquisadores e estudiosos do assunto, o objetivo é compreender a dinâmica funcional e os aspectos estruturais dos sistemas de inteligência, além das relações entre os serviços de inteligência e os regimes políticos nacionais e a maneira como essas organizações se comportam dentro da máquina burocrática estatal, buscando desenvolver uma visão teórica sobre a atividade; já nos estudos para inteligência, o objetivo é auxiliar no aperfeiçoamento dos processos e das ferramentas utilizadas pela atividade de inteligência, de forma a proporcionar aos praticantes e oficiais de inteligência subsídios intelectuais para seu ofício. Nesse sentido, essa obra procura iniciar um processo de dissolução deste muro divisório, na medida em que une trabalhos sobre inteligência com trabalhos para a inteligência.

O livro traz uma coletânea de artigos de vários autores. Quais os grandes desafios que este tema enfrenta no Brasil de hoje?
No Brasil, a distância entre a academia e os praticantes de inteligência é ainda maior do que em outros países. Ainda que haja uma série de restrições, o grande exemplo de proximidade entre esses dois polos é os Estados Unidos. Isso é reflexo tanto do tamanho total do sistema de inteligência dos Estados Unidos e da quantidade de recursos disponíveis, quanto do grau de consolidação da área dos Estudos de Inteligência como pesquisa acadêmica. Inversamente, a separação entre os dois grupos no Brasil pode ser uma consequência tanto da baixa atenção dos cientistas políticos e sociais brasileiros sobre o assunto quanto do baixo grau de investimento do Estado brasileiro em Inteligência, além da desconfiança popular relacionada às chagas deixadas pela ditadura militar nos serviços secretos. Portanto, apesar de progressivamente a situação estar melhorando, os grandes desafios do Brasil no campo dos Estudos de Inteligência é consolidar essa área do conhecimento a partir de pesquisas teóricas e empíricas que procurem desenvolver um ponto de vista brasileiro e sul-americano para o assunto, assim como avançar os investimentos estatais na Inteligência, buscando aumentar a efetividade de suas atividades e promover o aumento da cooperação com a sociedade civil, em especial a academia.

O Brasil tem cada vez mais destaque no cenário internacional, o senhor acha que isto refletiu num incentivo do governo e do mercado por novas pesquisas nesta área? Ou ainda se há muito a caminhar?
Com certeza, as novas responsabilidades do Brasil no cenário internacional e os esforços governamentais de melhoria das políticas públicas nas áreas de segurança pública e defesa nacional criaram novos incentivos e demandas por pesquisas na área de inteligência. Entretanto, ainda há muito a ser feito em termos de pesquisa. Um exemplo se refere à Inteligência Estratégica, que é uma das áreas onde o Brasil é mais defasado e da qual o Brasil mais precisará no futuro,

Quais dicas o senhor traz para o operador do Direito que deseja se aprimorar profissionalmente nesta área?
A Inteligência deve ser, necessariamente, guiada pelas suas atribuições e competências legais e obedecer aos seus limites constitucionais para exercer suas atividades e missões. Nesse sentido, o campo para o profissional do Direito se especializar é bastante extenso. Entretanto, a Inteligência é uma área em que a lógica de poder e imperativos de segurança nacional são preponderantes. Sendo assim, qualquer indivíduo que deseje entender a dinâmica da atividade de Inteligência deve se aprimorar na literatura especializada do tema produzida em disciplinas como Direito Administrativo e Constitucional, Ciência Política, Política Internacional, Economia e Estudos Estratégicos.

Esta obra é indispensável para quais profissionais? Por quê?
Esta obra é indispensável para qualquer indivíduo que deseje compreender melhor os serviços de inteligência dentro de uma perspectiva propriamente brasileira e sul-americana, que busca um afastamento relativo, mas saudável, da literatura dominante anglo-saxã. É com este propósito que o livro procura atingir os profissionais que lidam diretamente com a Inteligência no Brasil, seja ela Estratégica ou de Segurança Pública.

O estudante de Direito, de Relações Internacionais e Ciências Políticas deveria ler esta obra, por quê?
A tendência é que exista uma expansão na importância estratégica da inteligência governamental e uma reconquista de espaço dos serviços de inteligência dentro da máquina estatal brasileira, tanto por causa dos grandes eventos (Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016) em médio prazo, quanto pelo destaque do Brasil no cenário internacional a médio e longo prazo. Portanto, há uma certa demanda reprimida por profissionais especializados nesta área, que tenderão a ser requisitados no médio prazo. Os estudantes de Direito, de Relações Internacionais e de Ciência Política, de certa forma, estarão um passo a frente, na medida em que a lógica do conhecimento destas áreas encontra uma série de intersecções com a Inteligência.

Fonte: Redação Impetus

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