PRF: recompor efetivo é desafio da nova diretoria

05 de Maio de 2011 Área Policial
Tendo assumido a direção-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) após denúncias de falhas na fiscalização do trânsito e desvios de conduta por parte dos membros da corporação, além de problemas de infraestrutura ter levado à exoneração do seu antecessor, a inspetora Maria Alice Nascimento Souza tem a missão de devolver a eficiência à instituição, que completa 83 anos no próximo dia 24 de julho e que tem uma história marcada, sobretudo, pela preservação da vida dos que trafegam pelas rodovias federais.

No início do mês passado, a nova diretora-geral apresentou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por determinação do próprio titular da pasta, de um plano de ação, contendo os objetivos a serem perseguidos pelo departamento, as diretrizes da nova gestão e as ações que deverão ser realizadas para que as metas propostas sejam atingidas.

Uma das medidas relacionadas entre as ações mais relevantes é a busca da manutenção do quadro de pessoal, que, segundo o plano de ação, deve ser feito em prazo médio e continuo. No entanto, antes disso, a diretora precisa apresentar soluções a curto prazo para a recomposição e ampliação do efetivo.
Com um quadro autorizado de mais de 13 mil policiais, a PRF conta hoje com cerca de apenas 9 mil homens para fiscalizar os mais de 66 mil quilômetros de rodovias federais. Apropria inspetora reconheceu que é necessário um número maior de policiais para garantir uma melhor fiscalização do trânsito nas rodovias sob responsabilidade da União.

Na última segunda-feira, dia 2, a Comissão Nacional de Mobilização (CNM) do sistema sindical dos policiais rodoviários federais se reuniu com o ministro José Eduardo Cardozo e com a inspetores Maria Alice para discutir os assuntos que têm preocupado a categoria, entre eles,a gestão do efetivo. "Nós vamos querer o compromisso do departamento na busca dessa melhoria do efetivo. Para que eles briguem junto conosco por isso, porque o déficit de policiais é muito grande.", explicou Paulo Arcoverde, coordenador da CNM.

Atualização - Segundo a CNM, uma nota será elaborada em conjunto e divulgada no inicio da tarde desta terça, dia 3. Ainda de acordo com a CNM, além do ministro da Justiça, da diretora-geral da PRF e dos representantes do sistema sindical (membros dos 24 sindicatos regionais e da federação nacional), coordenadores-gerais da PRF também participaram da reunião. Até o fim da tarde desta terça a nota ainda não havia sido divulgada.

O número reduzido de policiais tem sido apontado como uma das causas diretas dos altos índices de violência nas rodovias federais, sobretudo nos feriados prolongados. No Carnaval deste ano, mesmo a PRF tendo mobilizado praticamente todo o seu efetivo, foram registradas, em seis dias, 213 mortes em 4.165 acidentes. Os dados correspondem a um aumento de 47,9% no número de mortes e de 28,7% no de acidentes em relação ao ano anterior.

No último feriado da Semana Santa, conjugado com o feriado de Tiradentes, os números sofreram uma pequena redução, mas permanecem elevados: nos mesmos seis dias, foram registradas 175 mortes em 3.861 acidentes, sendo que nessa aferição foram computados os dados do dia anterior à véspera do feriado, quando normalmente o fluxo de veículos ainda é pequeno nas rodovias.

Além da violência no trânsito, a escassez de policias rodoviárias se reflete também no enfraquecimento do combate ao crime organizado - o que facilita o deslocamento de armas e drogas por todo o país - e à exploração sexual de menores ao longo das rodovias federais. "Para fazer um bom trabalho, nós precisamos de um efetivo razoável", afirmou Arcoverde.

Fonte: Folha Dirigida, 03/05/2011

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